domingo, 23 de novembro de 2014

Olha o Síndico!

Tirei da página oficial do filme
Minha casa sempre foi muito musical (apesar de ninguém saber tocar nenhum instrumento). Meu pai sempre ouviu muito Rock (conta ele que eu quando baby adorava dormir ouvindo Deep Purple e ficava saltitante ao som de Suzi Quatro) e minha mãe mais pro lado da MPB. Eles aliás se conheceram num salão de Rock antigo aqui de Sampa (mas essa história fica pra outro dia...).

Fato é que sempre ouvimos de "tudo" dentro desses estilos. Lembro sempre que minha mãe cantava muitas músicas antigas pra mim e minha irmã. A maioria, claro, de artistas já falecidos. Mas uma das músicas que eu mais gostava quando ela cantava era com o trecho: "tomo um guaraná, suco de caju, goiabada para a sobremesa!" (ela sempre cantava isso na hora do lanche, pois nosso suco preferido era de caju, haha!). Perguntei pra ela quem cantava isso, e ela disse: "ah, o Tim Maia. Ele ainda faz shows por aí!", e eu pensei, feliz: "nossa, pelo menos um artista desses que ela canta que ainda está vivo!!". Isso foi em 1996. 

Então, no início de 1998, estava eu domingo à noite trancada de castigo fazendo lição (que era pro dia seguinte e eu tinha enrolado pra fazer...) e meus pais assistindo Fantástico na sala. Um tempo depois, minha mãe veio dizendo que tinham acabado de falar que o Tim tinha morrido. E a primeira coisa que pensei foi: "puxa, justo ele, que eu achava legal por ainda estar vivo!". Apesar de eu ter menos de 8 anos nessa época, fiquei bem chateada com isso (lembro até que nesse dia o Jorge Ben fez um show e encaixou "W Brasil" no repertório como forma de homenagem ao Tim...).

Os anos passaram, fui conhecendo a história do "síndico" a fundo e curtindo cada vez mais. Algumas das minhas músicas preferidas são "Réu confesso", "Festa de Santo Reis", "Lábios de mel" e "Acenda o Farol" e muitas outras. O que sempre me chamou muito a atenção no Tim foi seu temperamento explosivo, exigente e até meio rabugento (rola muita identificação da minha parte, saca? Haha!). Lembro quando lançaram o "Por toda a minha Vida" dele, o livro "Vale Tudo" (que está na minha meta de leitura desse ano, mas ainda não li, shame on me!) e o musical (que fiquei obviamente doida pra ver, mas money que é good nóis num have, unfortunately).

Então, quando soube do filme e vi o trailer, endoidei. Parecia ser muito bem feito. Aí, dia 10/11, no festival "Projeta Brasil", tivemos a chance de conferir a tal cinebiografia.


Pra começar, já fiquei espantada com a quantidade de gente que estava lá pro filme - nunca estive numa sala de cinema praticamente lotada daquele jeito. A história começa com um flash dele nos anos 90, largando um show pela metade e brigando com a produção e depois volta à sua infância/adolescência e remonta à sua primeira banda, que não durou nada justamente por suas conhecidas confusões.

O desencadeamento da trama me pareceu bem atrelado aos fatos reais, os atores foram ótimos, as piadas/tiradas maravilhosas, típicas do Tim (nunca achei que fosse rir tanto com esse filme!) e a fotografia incrível. Fiquei abismada em como os atores o encarnaram tão bem; principalmente na fase "Racional", tive momentos de me perguntar se aquela era uma cena de filme mesmo ou uma imagem do Tim na época, tão perfeita foi a caracterização.

O filme foi ótimo, valeu a pena ter ido assistir (considerando que quase desisti de ir em cima da hora, culpa da minha fobia social), mas fica uma ressalva: achei que se prenderam muito à fase dele de antes da fama/racional/depressão e deixaram os anos 80 e 90 um pouco de lado. Talvez tenha sido mesmo essa a intenção: mostrar mais a fase inicial dele que não era tão conhecida, mas a impressão que me passou foi de que ficou uma lacuna no fim, como se ainda faltasse muito a ser dito/mostrado.

De qualquer forma, tenho de admitir que me emocionei no final, quando recriaram o último show que ele não conseguiu terminar por passar mal (ficou muito parecido) e na seqüência as notícias (com imagens reais da época) do falecimento. Me fez lembrar muito da sensação que tive quando soube de sua morte.


Indiscutível a importância dessa figura na história de nossa música. Mais uma vez, valeu a pena ver esse filme. Nosso querido síndico merece todo respeito e consideração.

DAQUI

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