terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Elis - O Filme

Sempre gostei muito de Elis Regina. Desde pequena ouvia suas músicas sendo tocadas no disco pelos meus pais. Lembro muito de ver sua edição do programa "Ensaio" e achar tudo maravilhoso. Mas não só musicalmente a admiro: sempre ouvi falar muito de sua personalidade forte e opiniões marcantes, algo que sempre valorizei nas pessoas. Nunca esqueço o quanto gostei, quando assisti pela primeira vez ainda na adolescência, da entrevista que ela deu no programa "Vox Populi" (um dos momentos preferidos: ela morrendo de rir aos 18:35 após uma pessoa perguntar se ela usava dentadura, haha) e demonstrando toda a sua articulação argumentativa. Assisti também à forma como a tv Globo transferiu sua vida no especial "Por toda a minha vida" e, apesar de achar que foi uma versão "limpinha" demais (no sentido de terem omitido muitos detalhes importantes da história - só desculpado o fato de ter sido transmitido num domingo à tarde, horário "família"), admirei o fato de a terem homenageado.

Não à toa, quando soube que lançariam um filme sobre sua vida, me interessei muito. Principalmente quando vi o quanto a atriz principal tinha ficado assustadoramente parecida com ela:

O sorriso, os trejeito, a impostação da voz: tudo MUITO parecido com a original!

O filme já começou com uma fotografia maravilhosa, com Andreia Horta já arrasando na interpretação (dublada) de "Como nossos pais" e promessa de emoções. Mas, logo depois já senti um vácuo no enredo.

A história já começa com ela indo ao Rio de Janeiro com o pai para gravar. Não fala de nada da infância/adolescência dela, nada de sua história anterior como cantora. E assim foi, com muitos pulos estranhos no enredo, até o final do filme. Eu, que já conhecia razoavelmente a história de Elis, fiquei muitas vezes confusa com as viradas de certa forma abruptas no desenrolar; pensei muito em quem estava tendo o primeiro contato com a vida de Elis, como ficaria mais confuso ainda.

Me incomodei com o fato de omitirem figuras tão importantes na caminhada de Elis, como Milton Nascimento e Rita Lee. Não houve uma menção sequer à Rita, sendo que elas têm uma história muito bonita:


Ao longo do longa (hehe) percebi que todas as figuras que apareciam ao redor de Elis eram homens,  que isso foi proposital, talvez para mostrar o peso que eles tiveram em sua vida. Mas não achei uma boa escolha, justamente por acabar por ocultar muita gente tão importante quanto.

Além disso, senti uma falta de equilíbrio no panorama geral: muitas cenas um tanto desnecessariamente longas  em detrimento de partes importantes que ficaram faltando. Em certa altura do filme eu já estava me sentindo exasperada, coisa que não imaginava que aconteceria.

Apesar dos pesares, ainda assim deu pra ter uma boa idéia da grandiosidade de Elis, sua personalidade complexa e sua alma generosamente "pimentinha". A grande estrela, de fato, foi Andreia Horta, que deu um baile de atuação.

E nos créditos finais ainda colocaram essa música, minha preferida! Grata surpresa...

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