sexta-feira, 29 de julho de 2011

Coisas que a gente aprende meio sem querer

Esses dias que passei no hospital foram muito bons para mim, pois pude perceber algumas coisas:

Enqüanto eu reclamava de dores no peito e braços, e do desconforto de ter um dreno pendurado na axila, prestei atenção na senhora que dividia o quarto comigo: ela tinha feito uma cirurgia de intestino e, por isso, estava usando uma sonda de alimentação pelo nariz. Não era uma visão muito bonita e, além disso, era visível o quanto aquilo a afligia, pois ela nem conseguia falar direito com aquele negócio no rosto. Foi aí que me dei conta de que meu dreno nem era assim tão horroroso. Muitas vezes superdimensionamos tanto nossos problemas que quase nem percebemos que eles, perto dos de outras pessoas, não não passam de coisas pequenas.

Mais tarde me chamaram para tirar um Raio X num outro andar do prédio e o enfermeiro, aproveitando a viagem, buscou um rapaz de outro quarto para também tirar Raio X. Esse rapaz estava com um dreno enorme, parecia uma garrafa cheia de sangue (o meu era apenas uma bolsinha), e a espessura do cano que o ligava ao dreno tinha o dobro (pra não dizer o triplo) do meu. Perguntei a ele por que estava usando aquilo e, para o meu espanto, ele relatou um caso idêntico ao que eu passei (pulmão "colado" nas costelas). A diferença é que foi preciso operá-lo duas vezes, enqüanto que comigo em um procedimento só  meu problema já estava resolvido. Nesse momento vi que até que eu tinha tido "sorte", e que eu estava exagerando um pouco nas reclamações, afinal, apesar de toda a dor que eu sentia, ainda assim eu tinha sofrido bem menos que ele.

Percebi também o quanto amo o meu lar e as minhas coisinhas. Se antes acontecia de eu me sentir "entediada" sem ter muito o que fazer em casa, no hospital eu rezava pra que o médico me desse alta o mais rápido possível; eu sentia falta da minha cama, dos meus livros, dos meus bordados... enfim de tudo o que me cerca diariamente. Meu marido lindo sentiu a mesma coisa, pois nesse tempo todo ele esteve ao meu lado.
Sem contar que até  simples ações como pentear o cabelo, vestir uma camiseta, etc, se tornaram difíceis e um pouco dolorosas por causa dos pontos e do dreno. Até agora ainda sinto um pouco de dor (tirei o dreno segunda feira), mas me sinto super alegre por já conseguir me espreguiçar, pegar coisas em lugares altos e tudo mais.


A gente só dá valor ao corriqueiro quando nos vemos repentinamente afastados dele.

A vida é cheia de aprendizado mesmo. Até quando nem esperamos.





sábado, 23 de julho de 2011

Fui parar na mesa de operação!


Não aconteceu nada de grave comigo, mas a cirurgia a qual fui submetida dia 19/07 representou um marco em minha vida: me livrei da hiperidrose, um mal que me afligia praticamente desde que nasci.

Para quem não sabe, hiperidrose é o excesso de suor em determinada região do corpo. O meu caso era de hiperidrose palmar (nas mãos) e um pouco também de hiperidrose plantar (nos pés). Isso sempre foi um transtorno para mim, pois, ao contrário do que quem não tem o distúrbio pensa, não é apenas "um pouco de suor a mais". Minhas mãos chegavam ao ponto de escorrerem suor se eu segurasse por muito tempo  alguma coisa. E isso não era apenas em dias de calor: muitas vezes no inverno, e apesar do frio que podia fazer, lá estavam minhas mãos suando tanto que chegavam a inchar e perder a sensibilidade. Essa situação estava me atrapalhando até em atividades simples, como escrever, desenhar, bordar e até dirigir (já que minhas mãos escorregavam no volante, o que é um perigo).

Comecei a perceber que isso que eu sempre tive era um distúrbio quando, aos 14 anos, vi na TV casos parecidos com o meu. Até então eu achava que isso poderia ser "natural" e que eu conseguirira viver com esse problema numa boa. Mas com o tempo isso foi me incomodando cada vez mais, e então resolvi pesquisar sobre o assunto. Achei na internet o livro Suando em Bicas que me surpreendeu com  a semelhança da história de vida da autora em relação à minha. Descobri que o procedimento cirúrgico que cura a hiperidrose (que se chama Simpatectomia Bilateral )  nem é tão invasivo quanto eu imaginava (sempre morri de medo de cirurgias), e decidi: eu iria fazer aquela cirurgia de qualquer jeito.

Me consultei com um cirurgião torácico, médico responsável pela simpatectomia, e logo fui encaminhada para exames pré-operatórios. Em menos de um mês consegui marcar a data do grande dia em que me livraria de vez dessa tortura que era ter as mão pingando.

Passei pela simpatectomia mas, como tive pneumonia aos 4 anos, meu pulmão direito estava "colado" às costelas, e por isso os médicos tiveram que "descolá-lo", o que me fez acordar da anestesia com um dreno ligado ao meu lado direito do corpo.
Senti muita dor e desconforto (continuo sentindo aliás, porque já estou em casa, mas continuo com o dreno), mas sabe de uma coisa? Tudo valeu a pena. Minhas mãos estão perfeitamente secas, às vezes nem acredito que isso esteja acontecendo de verdade, de tão bom que é.

E agora só penso  na quantidade de coisas que vou poder fazer sem me preocupar com a sudorese: desenhar, pintar, bordar, escrever... enfim, uma infinidade =)

domingo, 10 de julho de 2011

That's life

Disseram que eu mudei, que não sou mais a mesma de antes. Eu não mudei. Continuo sendo a Isabela, fã incondicional dos Beatles e de Rock'n'Roll,  que adora livros e veste boca de sino e sai alegre e saltitante por aí.
A minha essência não mudou e nunca mudará, pois, ao contrário de muita gente, não sou volúvel e não me deixo levar com a maré.

O que acontece é que me não me apego a velhos (pré)conceitos. Me permito conhecer coisas novas, e não tenho medo de errar. Prefiro mil vezes arriscar e viver uma vida feliz a continuar na eterna "zona de conforto" que, na verdade, nem é muito confortável, pois é feita da poeira de tempos que já se foram.

Tudo que é vivo se renova, esse é o segredo. E, como a vida continua pulsando fortemente em minhas veias, eu me renovo também. Por isso é que não tive receio de investir em todas as transformações pelas quais passei. Mudei de casa, de cidade (e de alguns amigos também); me casei e... cá estou eu: feliz e realizada, olhando em frente e avistando um horizonte cada vez mais luminoso.
Passei a ouvir metal, mas nem por isso deixei de ouvir MPB; passei a freqüentar outros lugares e ver outras pessoas, mas isso não me fez alguém diferente do que sempre fui.

Uma coisa é deixarmos nossa personalidade e nossos gostos serem como chuvas de verão: passageiras (coisa que, ainda bem, não acontece comigo e muito menos com o meu marido); outra (tão radical quanto) , é nos  prendermos a "cadeias mentais" que não permitem que conheçamos coisas novas. A vida é cheia de circunstancias, aprendizados, direções. Cabe a nós sabermos qual atitude tomar. Eu já tomei já minha, estou tranqüila ao lado do meu marido, e sempre estarei. Se isso incomoda alguém ou faz com que pensem que "não sou mais a mesma", mil perdões, mas só posso dizer que quem ter que saber disso sou eu, e ninguém mais.

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