terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu recomendo


Em 2006, em meio a uma mostra de cinema daqui de São Paulo, um dos filmes que estava em cartaz chamou minha atenção: "The U.S vs. John Lennon". Como na época eu não costumava sair sozinha, não era em todos os cinemas que estava passando, e não tinha ninguém para ir comigo, acabei não conseguindo assisti-lo, e fiquei meio triste por isso. A única coisa que me "consolou" foi ter ouvido no rádio que logo esse documentário entraria em cartaz em outros cinemas. Só que não foi, e acabei até esquecendo disso tudo.
Então, quase 4 anos depois, estava eu a caminho da escola ouvindo rádio quando ouço o locutor dizer: "estréia semana que vem o filme sobre John Lennon e sua relação perturbada com os E.U.A; filme do qual Yoko Ono disse que o próprio John amaria". Endoidei. E coincidentemente meu namorado estava também ouvindo rádio na hora desse anúncio, e acabamos combinando de irmos assistir.

O filme é uma mistura de colagens de vídeos de várias épocas da vida de John (entre os anos de 65 até mais ou menos 75) e depoimentos de amigos de John e Yoko e pessoas que fizeram parte do momento político da época. Mostra a postura firme de Lennon em reprovar guerras como a do Vietnã e suas campanhas em prol da paz bem humoradas e incisivas como o "Bed in" e os diversos cartazes com a inscrição "War is over - if you want it" que foram colocados em várias cidades do mundo. John se apresenta sempre com uma resposta pronta à toda e qualquer pergunta feita por jornalistas e não titubeia em nenhum momento, mesmo quando duramente criticado e ridicularizado por políticos e membros da imprensa. "The U.S vs. John Lennon" destaca o quanto os Estados Unidos se incomodavam com toda a influência que Lennon exercia em seu público e os meios de que governantes e agentes lançavam mão para tentar calá-lo.
O filme também deixa transparecer toda a participação de Yoko em idéias de John e o quanto ela era importante para ele. A própria, nos últimos instantes de seu depoimento, lança ainda a suspeita de que a morte de John possa ter relação com toda essa rixa existente entre ele e os E.U.A (algumas pessoas acreditam que o assassino de Lennon, Mark Chapman, tenha sido sugestionado a matá-lo, e não que tenha feito isso por espontânea loucura).

Sinceramente, muitas das imagens de John eu já conhecia de ter visto em outros documentários e clipes. Mas não pude conter a emoção ao vê-lo (até mesmo nos Beatles) em tela grande (coisa que nunca tinha me acontecido antes). Sem contar que a forma como encaixaram as imagens conseguiu mostrar bem a personalidade explosiva, sarcástica (quase cáustica) e revoltada de Lennon, que muitos não conhecem.
Os momentos mais marcantes (na minha opinião) foram as cenas de Lennon com Yoko e todo amor que um demonstrava pelo outro, e ao final do filme a imagem dela visivelmente emocionada e segurando o choro (mais uma coisa que eu nunca tinha visto até então) e dizendo que o trabalho dele nunca morrerá.
A mensagem que fica é a que o próprio John fala: "Enquanto pudermos fazer alguma coisa, faremos. Nunca vou deixar de dizer o que sinto."

A força de vontade e firmeza desse cara são exemplos maravilhosos para mim.


Trailer do filme:

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