quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Suzi Quatro "Unzipped"


No final do do passado comprei na Amazon, pela bagatela de R$ 15,54 (como eu vivi tanto tempo sem me interessar por essa loja maravilhosa?), a autobiografia de Suzi Quatro, "Unzipped". Um livro bem legal, principalmente considerando-se que ela escreveu sem ajuda de nenhum tipo de escritor profissional.

"Unzipped", autobiografia que Suzi Quatro escreveu em 2007 (e atualizou em 2013) é construída como um grande diálogo entre duas pessoas que, na verdade são uma só: "Little Suzi From Detroit" (ainda jovem, antes da fama) e Suzi Quatro. Suas conjecturas e muitas lembranças trazem consigo uma grande autocrítica bem humorada, montando uma narrativa bem completa: traz muitos detalhes de sua infância numa família grande de pais imigrantes (o pai italiano, a mãe húngara) e fortemente católica, suas inseguranças por ser "a filha do meio" (o que, de acordo com o que ela sentia, a fazia viver "esquecida" entre os irmãos), as traquinagens típicas de criança, o amor por música  (principalmente Elvis), o desenvolvimento na adolescência, o primeiro namorado, a criação da banda feminina "Pleasure Seekers" junto com irmãs e amigas, o abandono dos estudos aos 14 anos, a procura pelo sucesso, os vários shows e a crescente fama em sua terra natal, Detroit... 

O caso com um produtor musical (que ela chama sempre apenas pelas iniciais "DC") que na época era casado, a gravidez inesperada que a levou a um aborto com apenas 18 anos, as constantes mudanças na formação da banda e a subsequente alteração de estilo e nome, algo que não surtiu grandes efeitos a longo prazo, mas que coincidiu com sua descoberta pelo produtor Mickie Most (que se interessou apenas por ela, a baixista Suzi - que se refere a si mesma nesse período como "Little Suzi from Detroit" deixando de lado o resto da banda, algo que causou ressentimentos não resolvidos entre os membros durante anos) e a ida para a Inglaterra conquistar uma carreira de sucesso... os tempos sombrios em que viveu num limbo de solidão e depressão sem conseguir emplacar nenhum sucesso em sua carreira solo, levando-a a quase desistir de seus sonhos e voltar para os Estados Unidos...

O cara que apareceu como candidato a guitarrista de sua banda de apoio que acabou se tornando seu primeiro marido (Len Tuckey), a primeira grande turnê que fez acompanhando as maravilhosas bandas ♥ Thin Lizzy e Slade ♥, o primeiro grande sucesso com "Can the Can" seguido por "48 Crash" (uma parte que achei super fofa: quando Can the Can atingiu a primeira posição na parada de Top Of The Pops, Phil Lynott e todos do Thin Lizzy enviaram um telegrama parabenizando-a ♥), os shows e turnês se tornando maiores e mais constantes, as várias aparições em paradas de sucessos britânicas, o inesperado sucesso em lugares como Japão e Austrália (onde tem seus fãs mais fiéis até hoje), as bebedeiras e farras com a banda e amigos, a fã maluca que a seguia por hotéis e ia em vários shows, mais conhecida como Joan Jett... o constante medo de voar que a fazia tomar um litro de whisky antes de sequer pisar no avião (haha)... os rumores de ter ficado com caras como Alice Cooper, que ela mesma desmente e conta sua versão dos fatos (Alice e ela são amigos desde os tempos de Detroit); o processo de criação de cada disco, sua relação sempre complicada com a família que deixou nos EUA... a compra de sua primeira casa (com os espíritos que ela acredita que morem lá, os quais têm até nomes específicos - o que mostra muito do seu lado místico/espiritualista, apesar de toda a sua base católica); o desdobramento de sua carreira, dessa vez como atriz no seriado "Happy Days", algo que a deixou com maior visibilidade em sua terra natal...

Seu amadurecimento ao longo dos anos, a batalha para engravidar (seguida por mais um aborto, dessa vez espontâneo), sua primeira filha, Laura... seu distanciamento dos palcos e gravações, as participações em variados programas de TV para manter seu nome na mídia; o nascimento de seu segundo filho, Richard... o crescente desgaste de seu casamento com Len, em grande parte causado pela mudança de interesses de Suzi, que passou a dedicar mais seu tempo em atividades como escrever e atuar e menos voltada à música (algo que acabou de tornando o maior - e talvez único -  assunto em comum entre eles)... seu papel como mãe, esposa e artista se misturando e causando crises de identidade, a inevitável separação, que causou desgastes familiares... os problemas de saúde seguidos da morte de sua mãe, o nascimento de vários sobrinhos, os problemas com os filhos (especialmente a filha)... sua volta aos palcos...

O tempo tresloucado de "solteirice" depois de tantos anos casada (um grande mistério para mim: por que essas mulheres depois que se separam ficam tão malucas, como se nunca tivessem visto um homem antes na vida?), o novo affair que a quase fez se casar com pouquíssimos meses de namoro... seguido pela inesperada paixão pelo alemão Rainer Haas, antigo conhecido que lhe agendava shows e que acabou se transformando em seu segundo marido...

A  reaproximação com o pai,  o crescimento dos filhos (com a saída de sua filha de casa aos 16 anos e seu retorno aos 18, trazendo consigo Amy, primeira e única neta de Suzi)...

As novas composições, a participação num reality show (que obviamente lhe rendeu arrependimento, hihihi), as viagens familiares, os novos planos na carreira... e a reconciliação consigo mesma. Little Suzi from Detroit, enfim encontra-se com sua atual pessoa (mesmo aceitando que isso seria ficção, hehe), fechando sua história admitindo que a mundialmente conhecida Suzi Quatro não seria quem é hoje se não fosse por sua parcela juvenil.
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Gostei muito de acompanhar uma vida tão movimentada e cheia de detalhes. Me identifiquei em muitas partes, principalmente relacionadas à personalidade aberta de Suzi (incapaz de manter a boca fechada, como ela mesma disse), sua memória de elefante, assim como também suas inseguranças e instabilidades.
Sem contar o fato de que ela faz aniversário uma semana antes de mim e teve uma tia chamada Izabella (!). Para quem é fã dessa baixista ou gosta de (auto)biografias, esse livro vale muito a pena.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Elis - O Filme

Sempre gostei muito de Elis Regina. Desde pequena ouvia suas músicas sendo tocadas no disco pelos meus pais. Lembro muito de ver sua edição do programa "Ensaio" e achar tudo maravilhoso. Mas não só musicalmente a admiro: sempre ouvi falar muito de sua personalidade forte e opiniões marcantes, algo que sempre valorizei nas pessoas. Nunca esqueço o quanto gostei, quando assisti pela primeira vez ainda na adolescência, da entrevista que ela deu no programa "Vox Populi" (um dos momentos preferidos: ela morrendo de rir aos 18:35 após uma pessoa perguntar se ela usava dentadura, haha) e demonstrando toda a sua articulação argumentativa. Assisti também à forma como a tv Globo transferiu sua vida no especial "Por toda a minha vida" e, apesar de achar que foi uma versão "limpinha" demais (no sentido de terem omitido muitos detalhes importantes da história - só desculpado o fato de ter sido transmitido num domingo à tarde, horário "família"), admirei o fato de a terem homenageado.

Não à toa, quando soube que lançariam um filme sobre sua vida, me interessei muito. Principalmente quando vi o quanto a atriz principal tinha ficado assustadoramente parecida com ela:

O sorriso, os trejeito, a impostação da voz: tudo MUITO parecido com a original!

O filme já começou com uma fotografia maravilhosa, com Andreia Horta já arrasando na interpretação (dublada) de "Como nossos pais" e promessa de emoções. Mas, logo depois já senti um vácuo no enredo.

A história já começa com ela indo ao Rio de Janeiro com o pai para gravar. Não fala de nada da infância/adolescência dela, nada de sua história anterior como cantora. E assim foi, com muitos pulos estranhos no enredo, até o final do filme. Eu, que já conhecia razoavelmente a história de Elis, fiquei muitas vezes confusa com as viradas de certa forma abruptas no desenrolar; pensei muito em quem estava tendo o primeiro contato com a vida de Elis, como ficaria mais confuso ainda.

Me incomodei com o fato de omitirem figuras tão importantes na caminhada de Elis, como Milton Nascimento e Rita Lee. Não houve uma menção sequer à Rita, sendo que elas têm uma história muito bonita:


Ao longo do longa (hehe) percebi que todas as figuras que apareciam ao redor de Elis eram homens,  que isso foi proposital, talvez para mostrar o peso que eles tiveram em sua vida. Mas não achei uma boa escolha, justamente por acabar por ocultar muita gente tão importante quanto.

Além disso, senti uma falta de equilíbrio no panorama geral: muitas cenas um tanto desnecessariamente longas  em detrimento de partes importantes que ficaram faltando. Em certa altura do filme eu já estava me sentindo exasperada, coisa que não imaginava que aconteceria.

Apesar dos pesares, ainda assim deu pra ter uma boa idéia da grandiosidade de Elis, sua personalidade complexa e sua alma generosamente "pimentinha". A grande estrela, de fato, foi Andreia Horta, que deu um baile de atuação.

E nos créditos finais ainda colocaram essa música, minha preferida! Grata surpresa...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Beatlemania Experience! 17/09/16


Se me dissessem, em 2000 (ano em que "virei" fã maluca dos Beatles), que num futuro não tão distante haveriam todo tipo de coisa relacionada aos 4 rapazes de Liverpool, eu não acreditaria. Naquela época, talvez por culpa de Michael Jackson, os Beatles passavam por um enorme hiato: era dificílimo encontrar material sobre eles até mesmo em sebos.

Foi exatamente isso que lembrei quando fiquei sabendo da exposição Beatlemania Experience: que meu "eu" de 10 anos de idade teria uma "síncope" com tanta coisa linda pra uma fã ver. Dos mais variados itens de memorabilia a óculos de realidade virtual recriando o show deles no Shea Stadium e muito muito mais,  essa exposição foi de longe um dos passeios mais incríveis que fiz nos últimos tempos.
Fomos num sábado à tarde, então estava bem calmo e foi possível olhar tudo numa boa, sem restrição de tempo. Ao todo, foram duas horas inteiras olhando cada detalhe. Amei como foi feita a recriação do Yellow Submarine e da fachada dos estúdios da Abbey Road! Aliás, difícil dizer do que não gostei. Talvez minhas grandes ressalvas sejam apenas duas: uma das réplicas dos baixos do Paul que estavam expostos era de destro (e todos sabemos que Paul é canhoto, hehe) e o preço absurdo dos itens da lojinha de souvenir. Só pra ter uma idéia, um porta copo de papel cartão estava R$ 19,00! E um livro que paguei R$ 50,00 em outra loja estava mais do que o dobro do preço lá... Impraticável pra maioria do público, que já pagou um valor considerável pelo ingresso...

Mas, enfim, foi maravilhoso e, de certa forma, uma realização para o meu eu adolescente que era tão carente de material beatlemaníaco; valeu muito a pena.
Engraçado que, logo que fiquei sabendo dessa exposição, senti uma urgência enorme em ir, como se fosse melhor aproveitar logo a chance antes que "fosse tarde demais". Meu medo era de que se esgotassem os ingressos e não conseguíssemos, mas mal imaginava que o que aconteceria era mais triste: pouco depois que visitamos a exposição, em decorrência de uma grande chuva que teve em São Paulo, a estrutura do local foi abalada e o evento encerrado :( 
Fiquei ao mesmo tempo "contente" por mim, por ter conseguido ir à tempo, mas chateada por quem não teve a mesma sorte (soube inclusive de uma amiga minha que chegou a ir até à frente do local, mas justamente no dia seguinte ao ocorrido).

Claro que tirei muitas e muitas fotos:


terça-feira, 29 de novembro de 2016

15 anos sem George Harrison


Inacreditável o quão rápido o tempo passou. Lembro de acordar nesse mesmo dia, 15 anos atrás, ouvindo Beatles na tv e receber essa noticia. Eu tinha 11 anos e senti muito, demorou meses pra poder ouvir musicas como "Here comes the sun" ou "Something" sem ter vontade de chorar.

George nunca será esquecido.



E ver essa matéria, inevitavelmente, me fez sentir tudo isso de novo.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

I'm having a crush³

...on SLADE!

Como em tantos outros casos, desde pequena essa banda já estava presente em minha vida. Meu pai curtia eles desde os anos 70, e vez ou outra ouvíamos "Cum on feel the noize", "My oh my", "How does it feel", etc, no toca discos. Sempre achei eles uma banda interessante, principalmente por causa das roupas que  vestiam, mas nunca tinha parado para prestar mais atenção à suas músicas...

...até que outro dia estava jogando "Song Pop" (alguém mais ainda joga isso? Haha!), quando acertei uma música do Bachman Turner Overdrive e resolvi assistir seu vídeo no Youtube. Então, nos vídeos recomendados, tinha a já mencionada "Cum on feel the noize". Resolvi dar uma olhada, sem mais nem menos, até que lembrei que gostava de outra música deles, "Ooh lala in LA" e resolvi ver esse clipe também. Então, mais uma vez nos recomendados, estava listada a "Run runaway":


E aí eu embasbaquei.

Além de adorar a música em si, achei o Slade uma banda com uma presença e atitudes escrachadas muito legais. E foi assim que passei a pesquisar mais sobre eles e sua música.

A primeira coisa que me toquei foi que, definitivamente eu tenho uma grande queda pelo estilo glam setentista. Com Slade, tanto quanto aconteceu quando me apaixonei pelo ABBA, caí de amores eternos por seu estilo:

 
 
Eu poderia usar tranquilamente essas roupas ♥

Algo que também me chamou a atenção e quase não acreditei quando descobri foi que, em uma das turnês que o Slade fez, as bandas que abriam o show eram nada mas nada menos que THIN LIZZY e SUZI QUATRO!!!!! Quer dizer, duas das bandas que mais amo tocavam junto com essa que agora também está entrando pra lista das minhas favoritas! Achei isso muito legal, algo que eu desconhecia até então.


Curiosidade: em ambos os cartazes o nome da Suzi Quatro está escrito errado!

Suzi Quatro e o vocalista Noddy Holder
Descobri também que eles fizeram um filme chamado: "Slade in Flame", o qual está disponível completo no Youtube. Assisti com certa dificuldade por causa das gírias e sotaque carregado, mas fiquei meio aliviada em descobrir depois que mesmo os espectadores americanos também tiveram esse "problema".


 E essa tem se tornado a música deles que mais ouço e curto no momento. Algo me diz que será a que mais ouvirei de manhã pra me animar ao longo do próximo semestre, hehe:


Então, agora tenho ouvido várias músicas e assistido todos os clipes dessa banda inglesa com sotaque quase ininteligível que tem me levado a ter um pouco menos de preconceito com sotaques (shame on me!). Me apaixono por mais e mais músicas deles, assim como vou descobrindo muitos fatos novos sobre sua história e de seus membros ♥
Fiz gif's deles porque: sim.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Hoje é meu aniversário! Mixtape #10: ISA26

Inacreditável chegar aos 26 anos. Me sinto velha e nova ao mesmo tempo.

Pra comemorar, fiz essa mixtape com 26 músicas que marcaram meus 26 anos de vida. Lógico que eu queria ter colocado muitas outras mais, mas preferi manter como requisito essencial que as músicas fossem as que mais ouvi durante esses anos e/ou tenham marcado alguma fase importante para mim.

Download AQUI



Na playlist estão faltando duas músicas (que não achei no streaming do Deezer), mas coloco aqui os videos delas do Youtube e também tem disponível na pasta para download :)


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Livro "A vida e o veneno de Wilson Simonal" - resenha

Nem acreditei quando pesquisei no blog e me dei conta de que nunca antes postei nada sobre Wilson Simonal!

Pois agora, depois de terminar de ler a biografia "Nem Vem Que Não Tem: A Vida e o Veneno de Wilson Simonal", não tem nem como não postar nada sobre essa figura tão controversa da música brasileira.

Como tantas coisas na minha vida, Simonal esteve "presente" desde que me entendo por gente. Minha mãe cantava muitas de suas músicas pra nós em casa e nossa preferida sempre foi "Lobo Bobo", a princípio por fazer referência à história da Chapeuzinho e, com o tempo, por eu passar a achar a letra muito engraçada (e sim, eu sei que ela é originalmente do João Gilberto, mas sempre ouvi e tive como favorita a do Simonal). Além disso, lá por meados de 2005 meus pais foram a um show de Simoninha, filho de Simonal, e  assisti a uma apresentação dele na falecida MTV. Até então, meu interesse não ia muito além disso...

Até que em 2011 peguei sem querer passando na TV um trecho do filme "Ninguém sabe o duro que dei", documentário de 2008 sobre Simonal, e me interessei bastante. Procurei e consegui assistí-lo na íntegra. Foi então que me apaixonei pelas músicas do "Rei do Beco das Garrafas". Posso dizer com toda a certeza que "Sá Marina" foi a música que mais ouvi ao longo de 2012, além de tantas outras maravilhas.



Na virada de 2013 para 2014, fomos à Avenida Paulista (superando o medo enorme que tenho de multidões) só pra ver o show do "Baile do Simonal", composto por seus filhos Simoninha e Max de Castro. E em 2014, no Festival de Inverno de Paranapiacaba, além de ver mais uma vez o Simoninha se apresentar, tive a chance de tirar uma foto com ele e falar (de forma extremamente tímida) que admiro muito o pai dele. Foi um momento muito legal.


Além disso, ano passado quis muito assistir ao musical "S'imbora, o musical" cantando a vida dele, mas infelizmente, por motivos maiores, não consegui ir.

Até que, perto do fim de 2015, enquanto fuçava na seção de biografias de um sebo, dei de cara com o livro "Ninguém sabe o duro que dei: a vida e o veneno de Wilson Simonal" e é claro que comprei. Fiquei muito feliz em encontrá-lo pois já tinha lido várias resenhas sobre ele, mas até então só tinha tido contato com sua versão em PDF, a qual não me animava muito a lê-la.
E foi assim, depois de ler a biografia do ABBA, que engatei logo na seqüência com a de Mr. Wilson Simonal de Castro, para aproveitar ao máximo meu período de férias acadêmicas.

A "trama" foi muito diferente do que eu esperava. Talvez por justamente ter emendado a leitura de biografias de artistas tão diferentes, com culturas e histórias tão discrepantes entre si, eu tenha sentido um choque de realidades tão adversas.

Fato é que a história do "Simona" começa como a de tantos outros artistas brasileiros, com muita dificuldade e problemas, tudo o que poderia tê-lo levado a caminhos muito  diversos aos da música. É impressionante ver seu crescimento como artista e cantor ao longo dos anos, assim como todo seu trabalho rendendo frutos maravilhosos no cenário musical da época. Além disso, achei muito interessante ver o quanto Simonal esteve presente em momentos importantíssimos de nossa história de festivais e programas de auditório, muitos detalhes de peso que até então me eram totalmente desconhecidos.

Tenho de admitir que, principalmente nos capítulos sobre seu auge artístico, fiquei com uma sensação estranha da pessoa de Simonal e quase parei a leitura por aí. A forma como ele demonstrava se portar, em especial no seu apogeu, me fez ter certa antipatia, cheguei até a questionar se realmente eu conseguiria continuar ouvindo suas músicas sem ter essa sensação chata que teimava em surgir à cada linha lida. Talvez fosse porque seu comportamento se chocasse com o que eu considero "ideal" (e isso é algo muito pessoal meu) ou porque simplesmente sua personalidade fosse o extremo oposto da minha, o negócio é que me esforcei ao máximo para não julgá-lo sob minha ótica pessoal, afinal não sou parâmetro pra ninguém. Foi assim que segui a leitura, procurando sempre manter o foco na figura artística, deixando a pessoa em segundo plano.

E, com o desenrolar dos fatos, a sensação de antipatia foi se transformando em empatia, compaixão e, por fim, tristeza. Cheguei até a ficar com remorso de ter julgado tanto essa figura e sua forma de agir em uma fase de sua vida que acabou se tornando tão breve e distante.

Senti primeiramente empatia por todas as atribulações familiares que se sucederam, tanto com sua esposa como com sua relação com os filhos e pessoas mais próximas.

Depois, compaixão por descobrir tantos fatos tristes e coincidências infelizes que lhe causaram tantos momentos amargos e deixaram muitas situações constrangedoramente tristes.

E tristeza, muita tristeza, por ver alguém com tanto talento ser deixado de lado da forma como foi, ser "sepultado em vida" por atitudes equivocadas e situações das quais pouca chance teve de se defender, além de ter sido tão pouco ouvido por todos os que poderiam ter feito alguma coisa para ajudar a mudar essa situação. Foram muitos os momentos em que tive de segurar o choro, porque o livro relata cenas muito tristes dele tentando se reerguer da forma como podia e sempre caindo em mais e mais desilusões e decepções.

Lendo o livro pude finalmente entender de forma mais organizada todo o imbróglio envolvendo Simonal, seu contador, os militares, a ditadura e toda a imprensa. Como alguém que nasceu em 1990, minha visão do cenário histórico brasileiro sempre foi meio tendenciosa, visualizando apenas lados extremamente polarizados e, como tanta gente por aí, acreditando piamente que existia apenas uma verdade. Mas foi muito bom para mim ter a chance de conhecer, através de Simonal, um panorama diferente e muito mais realista, onde todos sem distinção tiveram uma parcela de culpa nos acontecimentos. Sei que Simonal não foi santo no caso ocorrido, mas me dói muito também ver o quanto ele acabou se tornando símbolo de  algo do qual ninguém mais quis se aproximar, algo muito pesado, e como esse fardo não precisava ter sido jogado de forma tão insensível (quase que) unicamente sobre ele.

Até à título de curiosidade, resolvi assistir mais uma vez ao "Ninguém sabe o duro que dei" para poder ver fotos e imagens em ordem cronológica do "Simona". Foi algo muito proveitoso, principalmente porque assim pude entender o porquê do depoimento de algumas figuras específicas no desenrolar dos fatos e sua forma de "fazer graça" com o que aconteceu. Acredito até que o filme fez muito mais sentido para mim agora, depois da leitura da biografia do que quando o vi pela primeira vez.

Enfim, essa obra me surpreendeu e marcou muito; fazia tempo que um livro não me despertava tantos sentimentos complexos e aparentemente desconexos. Mas em se tratando do biografado, acredito que não poderia ter sido diferente. Além disso, não posso esquecer de citar a ótima narrativa de Ricardo Alexandre, que conseguiu retratar os fatos de forma cativante e com uma visão bem ampla, que me fez querer pesquisar mais e mais sobre tantos outros temas musicais citados na obra.

Querendo ou não, acabei comparando mentalmente em muitos momentos a biografia do ABBA com a de Simonal, pois me impressionou bastante a óbvia discrepância de realidades de países tão diferentes como Suécia e Brasil no mesmo período de tempo (principalmente anos 70) e as personalidades tão recatadas e discretas dos músicos suecos em contraste extremo e (para mim) chocante com a extravagância e exibicionismo de Simona. Mas o mais interessante no meu ponto de vista foi ver que, apesar de todas as diferenças, ABBA e Simonal sofreram do mesmo mal: terem seu auge musical em uma época mundialmente tensa e serem muito julgados pela imprensa por aparentemente não terem posições políticas definidas e muito menos usarem sua música como forma de "protesto". Durante todo o livro do ABBA ficou bem exposto que eles, apesar de muito famosos e queridos pelo público, eram constantemente criticados e diminuídos pelos meios de comunicação que os considerava "vendidos". Soa bastante familiar, não?

Mas muito além de todo esse texto enorme que nem sei como consegui escrever (pois ainda estou me recompondo das emoções do livro, hehe), o que tem de se sobressair sempre é a obra maravilhosa de Simonal.
Simona merece todo o respeito e admiração possíveis. Nunca será esquecido.



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ABBA, a biografia

Meu crush pelo ABBA continua firme e forte, então... bem, acho que isso pode ser considerado muito mais do que uma simples "quedinha": já tenho esses suecos como mais uma banda na lista top 5 das que mais gosto (quer saber como é essa "lista"? 1º lugar: Beatles [sempre!], 2º Thin Lizzy, 3º The Band, 4º ABBA e 5º Suzi Quatro ♥ - só agora listando essas bandas percebi que são todas de nacionalidades diferentes, haha!).

Coincidentemente ano passado, logo no mesmo período que declarei meu gosto por ABBA, dei de cara com a biografia deles em uma livraria, enquanto procurava por livros didáticos. Fiquei tão empolgada que até postei no meu instagram:

 foto publicada por Isabela Lennon (@belalennon) em

Mas, como eu disse, estava procurando por outros livros, então não tive condições de comprá-lo naquele momento. Então, como boa filha chata que sou, pedi esse livro como presente de aniversário para minha mãe.

E assim foi.


Uma foto publicada por Isabela Lennon (@belalennon) em

Só que só tive tempo suficiente para lê-lo devidamente do fim do ano passado pra cá; terminei a leitura há pouco tempo e só posso dizer que: amei, amei, amei, de verdade.

Vendo todos os clipes/documentário possíveis eu já tinha suposto mais ou menos como era a dinâmica dos casais como banda: as "meninas" participando mais das gravações em si e os "rapazes" se envolvendo à fundo no processo de composição/produção, etc. E foi bem assim que o livro documentou. Além disso, já havia percebido, em apresentações, as diferenças entre Frida ("a morena/ruiva") e Agnetha ("a loira): enquanto a primeira, na maioria das vezes, se mostrava sorridente e descontraída em frente ao público, a segunda parecia mais reservada. Bingo, outra coisa que o livro confirma.

A narrativa começa introduzindo o já conhecido "desafio" que fãs contemporâneos do ABBA enfrentam: conseguir vê-los e/ou fotografá-los todos juntos em algum evento. São pouquíssimas as oportunidades de algo assim acontecer, principalmente porque Agnetha raramente é vista em público (edit: recentemente eles se encontraram! Fiquei besta quando vi esse vídeo AQUI). E é dessa forma, apresentando tal curiosidade da antiga banda, que o autor nos introduz às historias individuais de cada membro antes da fama mundial.Primeiro com Björn, depois, Benny, Ann-Frid e enfim, Agnetha, nesta sequência. Cada um com sua infância/adolescência específica, cheias de idas e vindas, e suas carreiras musicais já bem sucedias na Suécia antes mesmo do ABBA: Björn com sua banda Hootenanny Singer, Benny com a Hep Stars e Frida e Agnetha em suas respectivas carreiras solo. Paralelamente o autor apresenta também uma breve narração da vida de Stig Anderson, o qual se tornaria seu empresário.

O livro continua narrando as influências musicais dos membros, como a personalidade de cada um impactou em seu trabalho como grupo, a relação dos casais Benny/Frida Björn/Agnetha, a luta para conseguirem participar do festival Eurovision e sua merecida vitória (acarretando no início de sua fama ao redor do mundo), a inesperada loucura dos fans australianos pela banda, o processo criativo, as gravações e muitas outras coisas... enfim, o autor foi bem conciso e inteligente narrando tantos detalhes sem ficar maçante ou repetitivo.

Pessoalmente acho difícil eleger um trecho específico como favorito mas, nas linhas gerais, os que mais me interessei foram os relacionados ao processo de criação e gravação das músicas, além dos trechos que falavam especificamente sobre Agnetha: fiquei abismada com o quanto me identifiquei com a personalidade dela: extremamente autocrítica, insegura, cada vez mais reservada, de personalidade forte e, infelizmente com fobia de multidão (ironia) e de voar. Em algumas partes cheguei a rir nervosamente, porque a descrição se encaixava demais comigo, hehehe.

Todo esse livro me fez amar mais ainda essa banda tão complexa e incrível. Algo que achei muito legal foi que, a cada dado, nome ou pessoa que o autor citava, eu pesquisava na internet para ter uma ideia mais ampla do que ele falava; isso me ajudou muito a tornar a leitura completa. 

Se antes eu tinha uma certa relutância em admitir que gosto de ABBA, hoje posso me considerar fã com todo orgulho. E assim posso dizer que "ABBA: a biografia" é um livro maravilhoso. Dando uma nota, vale ♥♥♥♥♥ (coraçõeszinhos sim, porque sou brega, haha).


Uma foto publicada por Isabela Lennon (@belalennon) em

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Feliz ano novo

2015 foi um ano muito melhor do que eu esperava. Aprendi um pouco mais de russo, resolvi aprender francês também, estudei, recomecei projetos de uma forma que muitos não entenderam, mas que foi essencial para o meu bem estar, ouvi muito ABBA todas as manhãs pra me animar, conheci pessoas novas, me reaproximei de outras com as quais não falava há tempos, li menos do que gostaria (nada é perfeito), mas em compensação assisti mais filmes... enfim, fiz muito mais do que nos anos anteriores.

Só posso esperar que 2016 tenha o mesmo ritmo, com boas surpresas no caminho e muitas conquistas.

E assim será, para todos nós.

Definitivamente essa música foi a que mais ouvi ao longo de 2015.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Estou num video da Piikuliina ♥

Piikuliina é uma youtuber alemã que conheci há alguns meses, quando procurava por vídeos com dicas de estudos  e me deparei com o dela. Seu canal é super variado e com muito conteúdo legal, não tão convencional com apenas os mesmo temas "make-roupa-cabelo-bla-bla-bla" como tantos outros.
Recentemente, ela postou um vídeo convidando seus subscribers a mandarem vídeos dizendo o que desejavam neste natal. Ela incorporaria esses vídeos em um especial de fim de ano.Claro que enviei o meu.
Essa semana ela postou! Fiquei morrendo de vergonha da minha parte, meu inglês não tá lá essas coisas e me embananei um pouco, mas valeu a intenção.

Apareço nos 4 minutos e 42 segundos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Love & Mercy


 Quem entrar aqui nesses últimos tempos deve pensar que meu blog se transformou unicamente sobre filmes musicais, haha. É que esse é um dos meus assuntos preferidos e, ultimamente, o estilo de cinema que mais tenho assistido...

Tanto que recentemente assisti ao filme sobre o Brian Wilson, dos Beach Boys, e adorei.

Tenho de reconhecer que, a princípio, a motivação que me fez saber a existência de "Love & Mercy" foi egocêntrica. É claro que eu já conhecia os Beach Boys e curtia muito o som deles, mas algo que sempre achei muito legal foi o fato de eu fazer aniversário no mesmo dia de Brian Wilson. Aí outro dia, pesquisando sobre pessoas famosas com o tipo de personalidade INFJ (que, de acordo com um teste que fiz, é o meu tipo), além de saber que possivelmente George Harrison tinha, também me deparei com o nome de Brian Wilson, e achei isso muito curioso, ainda mais por ser um tipo "raro" de personalidade. Fiquei então muito interessada em saber mais sobre ele e passei a pesquisar se havia algum livro ou filme sobre sua vida. Foi quando me deparei com "Love & Mercy".


A história mostra dois momentos distintos na vida de Brian: nos anos 60, com os Beach Boys, e no final dos anos 80/início dos 90, debilitado e sofrendo abuso psicológico de seu psiquiatra, Dr. Eugene Landy, época em que conhece Melinda Ledbetter. Brian e Melinda se apaixonam, passam a se encontrar esporadicamente e, nesse ínterim, Melinda vai percebendo a influência negativa que Landy exerce sobre Brian.  Paralelo à isso, vemos o processo produtivo de discos dos Beach Boys, o crescente perfeccionismo de Brian e sua torrente criativa, além da relação cada vez mais conflituosa com o resto da banda. Esses foram os momentos que mais gostei no filme. Vê-lo dirigindo músicos de estúdio, criando sem parar, tentando transformar em música tudo o que ouvia dentro de sua cabeça... encantador e inquietante ao mesmo tempo.

Em alguns momentos me identifiquei com a história de Brian, principalmente no sentido de ter de lidar  com pessoas manipuladoras e abusivas. Fiquei com muita dó de imaginar o quanto uma alma sensível e perturbada como a dele pode ter sofrido, ainda mais sabendo que ele ficou mais de dois anos na cama, incapaz de levar sua vida e obra adiante. De cortar o coração.

O filme tem um final bonito e real, valeu a pena assistí-lo. Mais um pra lista dos meus preferidos.

E essa música linda...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Música linda...



Eu apenas queria que você soubesse 
Que aquela alegria ainda está comigo 
E que a minha ternura não ficou na estrada 
Não ficou no tempo presa na poeira
 Eu apenas queria que você soubesse 
Que esta menina hoje é uma mulher
 E que esta mulher é uma menina 
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
 Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta 
Que hoje eu me gosto muito mais
 Porque me entendo muito mais também 
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora 
É se respeitar na sua força e fé 
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
 Eu apenas queria que você soubesse 
Que essa criança brinca nesta roda 
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...
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